Pio XI, antes de ser Papa, quando ia
tomar conta da diocese de Milão, rezou ao anjo da guarda dessa
diocese. Quando encarregava alguém duma tarefa, dizia-lhe: que o seu
anjo o acompanhe.
O Papa João XXIII (que antes tinha o
nome de Ângelo Roncalli), dizia ter havido a devoção aos anjos na
sua família onde já era costume haver pessoas com o nome de Ângelo.
Rezava diariamente 5 vezes ao anjo da guarda. Dizia que era bom
rezarmos ao anjo da guarda das outras pessoas com quem íamos tratar
de assuntos. Ao presenciar a multidão na Praça de S. Pedro
lembrava-se também da multidão dos anjos da guarda de toda aquela
gente. Referia que a ideia que tivera de convocar o Concílio
Vaticano II a devia ao anjo da guarda e realmente foi através dos
anjos que Deus deu a Lei a Moisés (Gal. 3,19) e inspirou os
profetas. Os anjos são na verdade colaboradores de Deus.
S. Francisco de Sales, ao pregar um
sermão, lembrava-se também de todos os anjos da guarda das pessoas
que o estavam a ouvir.
S. João Crisóstomo, ao sair,
despediu-se do anjo da guarda da sua sé catedral.
Nas revelações privadas de San
Damiano (Itália) fala-se de pedir ao anjo da guarda a sua
colaboração em variadas tarefas e iniciativas a realizar.
Uma vida agitada e dispersa faz-nos
perder toda esta riqueza angélica. Se para ver as estrelas é
preciso ser de noite, também para conviver com os anjos é na noite
da nossa fé, isto é, no ambiente do silêncio, da oração e
esquecimento do mundo.
Os anjos rezam e trabalham como é na
espiritualidade de S. Bento, isto é, têm a vida contemplativa da
oração a Deus e a vida activa de ajudar os homens com o seu
trabalho. A sua contemplação torna-se depois acção. Assim
deviamos ser nós também, incarnando o ideal em obras. O Pe. Lamy,
ao ir de bicicleta, dizia: "são dois": eu e o meu anjo da
guarda.
"Te tivesse presente o teu anjo e os
do teu próximo, evitarias muitas tolíces" - S. José Maria
Escrivá de Balaguer (Caminho, n.º 564)
Estes desenvolvimentos da vida cristã
de acordo com a sequência dos coros angélicos inferiores até aos
superiores faz lembrar outros desenvolvimentos que imitam a escada de
Jacob (Gen 28,12) em graus variados, de que mostramos alguns exemplos
apresentados no vol. II de Actas do I Congresso Internacional do
Barroco, Porto 1991 a propósito dos degraus da tribuna das igrejas
no cimo da qual se expunha o Santíssimo Sacramento à adoração dos
fiéis.
10 – Deus
9 - clemência
8 - benignidade
7 - liberalidade
6 - magnificência
5 - magnanimidade
4 - temperança
3 - prudência
2 - fortaleza
1 – justiça
Eleitos
9 – contemplação
Aperfeiçoados
8 – Amor de Deus
7 – Pureza de Coração
6 – firmeza nas tentações
5 – Realizar a virtude
Principiantes
4 – Aborrecer os vícios
3 - Satisfação
2 - Confissão
1 - Contrição
4 – Estado de graça
3 – Meditação (Paixão de Cristo,
verdade eterna)
2 – Confissão Sacramental
1 – Exame de Consciência
6 – Perseverança no amor e na cruz
5 – Amor puro para comungar
4 – Mortificação para comungar
3 – Pureza para receber Jesus
2 – Humildade para comungar
1 – Fé e simplicidade
5 – Oração de recolhimento (voo do
espírito ou arroubo)
4 – Oração de quietude
3 – Oração de recolhimento
2 – Via iluminativa
1 – Oração mental
11 - Sabedoria
10 - Inteligência
9 - Conselho
8 - Ciência
7 - Piedade
6 - Temperança
5 - Justiça
4 – Fortaleza
3 - Prudência
2 - Temor
1 – Humildade
Segundo as considerações de S.
Gregório Magno, confessor de S. Máximo, Cazelles, citados por
Raniero Cantalamessa no seu livro O Canto do Espírito, Petrópolis
1998 e S. Agostinho no seu livro El Sermón de la Montaña, Madrid
1976, poderíamos ter, até certo ponto, o quadro seguinte, na nossa
aproximação espiritual para Deus: