Quanto
ao anjo da guarda, já dizia S. Francisco de Sales: "procura
conviver familiarmente com os anjos lembrando-te muitas vezes da sua
presença invisível em todas as acções da tua vida mas deverás
principalmente ter devoção ao anjo da guarda da diocese onde vives,
e aos anjos da guarda das pessoas com quem convives e duma maneira
especial ao teu anjo da guarda".
Tenhamos
confiança nos anjos, pois temos um certo "parentesco" com eles,
pois se eles são puros espíritos, nós também pela alma somos
espírito embora incarnado num corpo. Além disso, eles interessam-se
por nós por causa de Deus, por causa deles e por causa de nós, isto
é: por causa de Deus, pois assim imitam a Deus que tanto se
interessa de nós, por causa deles, pois há lugares vagos no céu
pela saída dos anjos maus e que os anjos (bons) tanto gostam de ver
preenchidos; e por causa de nós pois eles têm piedade de nós, por
lhes sermos parecidos pela nossa alma.
O
acompanhamento do anjo da guarda na nossa vida tem 3 passos: o
primeiro em nos afastar do mal (passagem purificatória ou
purgativa), o segundo consiste em pôr-nos no caminho do bem
(passagem iluminativa) para assim nos aproximar de Deus (passagem
unitiva) ou seja, a virtude da fé (na 1.ª passagem), a virtude da
esperança (na 2.ª passagem) e a virtude do amor (na 3.ª fase). Na
prática estas 3 coisas vão acontecendo um pouco ao mesmo tempo.
Assim, quando estamos na passagem ou fase purificativa da fé, já
está a haver também alguma coisa de esperança e até do amor e o
mesmo se diz das outras fases. Vejamos tudo isto num quadro resumido.
Estas
3 fases são como a nossa noite na nossa passagem neste mundo
(portanto, 3 noites) e dia será o autêntico dia do céu eterno.
1.ª
Fase (purgativa ou 1.ª noite)
Fé
principalmente
(Deus
é a verdade)
libertação
do mal
em
que é grande padroeiro o arcanjo S. Rafael "medicina de Deus"
como foi no caso bíblico de Tobias e que, portanto, nos cura do
pecado com o fogo do amor de Deus, afastando-nos dos 3 inimigos da
alma que são mundo, espírito mundano, demónio e carne no sentido
de prazeres e instintos carnais.
Nesta
fase os anjos são libertadores como médicos da nossa alma.
Já
éramos fraquinhos pela nossa inclinação mais para o mal do que
para o bem (devido ao pecado original) e agora a mancha do nosso
pecado ainda agrava mais a situação com três consequências: ficar
ferrugenta a nossa alma (precisando de melhorar através do
arrependimento e emenda) e ficar escrava do demónio (precisando de
aproveitar os méritos da paixão de Cristo) e ficar ainda desterrada
de Deus (precisando de regressar a Deus através da oração). Se
aqui a Fé é importante, há já alguma esperança e amor.
Se
o demónio era acusador do nosso pecado, o anjo é nosso advogado,
ajudando-nos contra as tentações e tornando-nos fervorosos na
oração.
2.ª
Fase (iluminativa)
Esperança
principalmente
(Deus
é amor)
santificação
na virtude
em
que é grande padroeiro o arcanjo S. Gabriel ("Fortaleza de Deus")
que nos traz a luz do bem e a virtude como quem trouxe a luz do
anúncio de "cheia de graça" e Mãe de Deus a Maria e que,
portanto, nos faz caminhar para Deus, fazendo-nos progredir no bem e
na santidade.
Nesta
fase os anjos são directores da nossa alma, mestres da nossa vida
espiritual. E então começamos a ter grande esperança, sendo ainda
preciso a fé e havendo mais algum amor.
Este
amor é em relação ao que está acima de nós (primeiramente Deus
através da nossa adoração e depois a Rainha dos anjos e a seguir
os anjos e depois os santos através da nossa veneração, respeito e
humildade) e em relação a nós mesmos (à nossa alma através da
pureza ou limpeza do materialismo) e à volta de nós (ao nosso
próximo através da concórdia e paz) e ainda em relação ao que
está abaixo de nós (o nosso corpo e depois as coisas criadas)
através da clemência e misericórdia.
3.ª
Fase (unitiva)
já
mais perto de Deus
Amor
formoso
em
que é grande padroeiro S. Miguel ("Quem como Deus") que, dando
todo o valor a Deus, tem toda a competência para nos levar a Deus.
Nesta
fase, os anjos são nossos introdutores no ambiente do paraíso como
nossos amigos e padrinhos junto de Deus.
Os
anjos que eram, desde a sua criação, já estrelas matutinas do
louvor a Deus, vão-nos tornando assim (embora depois) em astros
vespertinos do mesmo louvor a Deus.
Se
o anjo indicou a Agar a fonte da água, também a nós leva-nos à
fonte da Eucaristia, se soubermos (como preparação para bem
comungarmos) deixar o ambiente terreno da nossa vida e nos
encaminharmos cada vez mais para a posse e saboreação de Deus.
Só
conseguiremos isto, procedendo em tudo segundo a vontade de Deus,
vendo tudo segundo a luz do ideal de Deus, recebendo e aceitando tudo
segundo a vontade de Deus e amando tudo segundo o amor de Deus.