INTERESSE: Como já alguém dizia em 1675, Deus criou no céu os anjos para tratarem do serviço divino e pôs na terra os sacerdotes também para um serviço divino que era de dar Deus aos homens e de levar os homens para Deus, principalmente na consagração eucarística e demais actividade de ensino, orientação e vida sacerdotal. Se os anjos são mensageiros de Deus, também os sacerdotes devem ter uma missão parecida na terra, embora algo diferente.

Também como anjos, devem ser, por exemplo, os pais com os seus filhos, o que também se pode dizer de catequistas e outros educadores em relação àqueles que lhes estão confiados. Até se houve dizer: fulano foi para mim um anjo.

Assim, a aragem de vida espiritual, angélica ou celeste e divina espalhar-se-ia na vida das pessoas, a partir principalmente das pessoas de mais idade para as mais novas. É esta a grande importância e interesse da espiritualidade Angélica.

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VALOR: A espiritualidade angélica é de altíssimo valor, pois o anjo é uma ajuda importante na vida, desperta-nos grandes ideais como também nos dá avisos de censura às nossas infidelidades, além de nos conceder favores, alegria e conforto, para nos despertar e avivar para o bem e a virtude.

Os anjos são realmente uma preciosa ajuda na vida como aconteceu no caso de Tobias (Tobit, cap. 11) a respeito da sua saúde e viver isolado com que o anjo o ajudou e lhe dispensou a sua companhia e convivência benéfica. Por isso é que os educadores, nas dificuldades com as pessoas a seu cargo, deviam rezar aos anjos da guarda das mesmas e imitá-los. Também os amigos a respeito das pessoas da sua amizade deviam proceder de igual maneira, pois os anjos até lhes poderiam sugerir novas maneiras de resolver os problemas em causa.

Os anjos dão-nos ainda a conhecer coisas de valor como aconteceu aos pastores de Belém (Lc, cap.2) e ainda quando um anjo indicou a uma mãe (Juízes 13, 3-5) os cuidados a ter com o seu futuro filho, ao qual estava reservada uma importante missão no povo de Israel e que viria a ser Sansão.

O anjo, para bem da pessoa, não deixa mesmo de repreender, como sucedeu com Balaão por causa do seu mau procedimento (Num. 22, 31-35). Por isso, importa ter-se o maior respeito pelas inspirações/boas ideias, bons desejos) do anjo da guarda, evitando, para isso, levar-se uma vida muito distraída e cheia de inutilidades e banalidades que não prestam. A proceder-se dessa maneira leviana, nunca se caminha para a perfeição, a qual só é alcançada pela perseverança da fé e esperança da cruz, devendo, para isso, evitar-se a pretensão de querermos tudo à nossa maneira pois seria um desinteresse da nossa parte para com Deus e para com os outros. Às vezes as coisas não nos correm bem e nós abusamos das nossas possibilidades, castigando o próprio corpo, bem como os filhos e outras pessoas que parecem não estarem de acordo connosco, sem termos em conta as suas razões, sem reconhecermos através deles a mensagem do anjo que se serve deles para repensarmos melhor no problema que temos em causa. A perseverança, se umas vezes é virtude, noutras ocasiões pode ser teimosia e orgulho.

Por vezes pensamos tratar-se dum caso de sorte, quando realmente por trás disso estava a mão do anjo (2 Mac. 10,28-36). Uma vida de perfeição sempre na mira, afinal não é mais que vida de santidade e por isso não tem as facilidades próprias duma vida de vaidade e prazeres mundanos, mas, por ser difícil, é que tem a protecção dos anjos e que nós tantas vezes entendemos como caso de sorte.

Os anjos, como outrora aos pastores de Belém (Lc 2,8-14), trazem-nos mensagens de alegria, o que torna a vida mais leve, com mais luz e contentamento, dando assim um sabor de poesia ao nosso amargurado viver.

Os anjos trazem conforto para as amarguras da vida, tal como fizeram a Cristo na sua Paixão (Lc 22,43). Tantas vezes as pessoas andam desnorteadas e aflitas na vida, devido a receios de maus tratos, fracassos, críticas desanimadoras e até perseguições. Por isso é que a presença animadora dos anjos é uma grande ajuda e apoio de esperança na cruz da vida. Num estado de desânimo os anjos vêm despertar coragem como fizeram às santas mulheres a quando da ressurreição de Cristo (Mat. 28, 1-8). Na confusão do mundo em que andam misturadas as forças do bem e do mal, é-nos muito útil o clarão da luz espiritual dos anjos sobre as trevas da vida do mal e do pecado.

No impressionante e receoso caminho da pessoa deste mundo para Deus, a companhia dos anjos como foi de acompanhar o pobre Lázaro ao seio de Abraão (Lc. 16-22) é a melhor segurança e companhia a dar-nos confiança neste tão grande e tão importante momento da vida. É o que faz a liturgia dos funerais, ao rogar a presença dos anjos nesta última viagem até ao seio de Deus na eternidade.

APROVEITAMENTO DA ESPIRITUALIDADE ANGÉLICA

A atitude das pessoas em relação aos anjos e ao aproveitamento da sua espiritualidade na medida em que isso é possível, é a de reconhecer e viver dignamente na presença dos anjos através de uma vida não terrena nem apenas materialista mas sim através duma vida santificada ou celestizada, o que actualmente já deixa muito a desejar, pois, como se vê no Salmo 103(102).20, o valor de qualquer anjo, cuja luz e fortaleza lhe vêm do próprio Deus, está em ajudar-nos a ser mais perfeitos, ao tornar-nos mais de Deus. Há pais que se preocupam até demais com os filhos, esquecendo que eles têm também o seu anjo da guarda para os ajudar a defender-se, sabido como é que os anjos das crianças estão sempre a contemplar a face de Deus (Mat. 18,10). E quantas vezes, em casos tidos de sorte, não sabem agradecer a acção dos anjos nesses momentos! Ora a consciência da presença do anjo evita a nossa preocupação exagerada, mesmo em momentos difíceis e até de grande sacrifício.

O Salmo 91(90).11 pede aos anjos para nos guardarem em todos os nossos caminhos mas, para isso, é preciso termos o silêncio interior da alma, além do silêncio físico exterior, para sabermos escutar as inspirações dos anjos. Se confiamos só nas nossas forças e possibilidades, nada ligado aos anjos, é impossível eles ajudarem-nos.

É realmente preciso colaborar com os anjos tal como fez S. Pedro ao ser libertado da prisão através da intervenção dum anjo (Act. 12.1-10). Mas muitas vezes falta esta nossa colaboração, por estarmos presos pelo medo, por uma amizade mal entendida e prejudicial como também devido às nossas paixões e vícios. Igualmente a distracção da vida e a dispersão dos muitos afazeres fazem perder muitas ocasiões e graças dos anjos. Ora é preciso termos força de vontade e prontidão, dedicação em tudo, tanto no trabalho como no descanso, e mesmo ainda na cruz da vida, para podermos dar a melhor colaboração à acção dos anjos. Realmente cada alma em particular é única e insubstituível e Deus, que lhe confiou uma vocação e missão própria, quer a todo o custo salvá-la, no que é acompanhado pelos seus anjos. Este desejo divino e angélico da salvação de todos e de cada um é mais um motivo de consolação e de esperança para quem quer que seja e por mais infeliz que se encontre.

Ora, para não causarmos empecilho ou amargura à acção dos anjos como diz a Sagrada Escritura (Êxodo 23.20-23), importa termos presente que os anjos só podem actuar com o sim da nossa liberdade e gosto. Se seguirmos as suas primeiras inspirações, receberemos depois ainda mais graças, pois Deus deseja o maior rendimento no caminho da perfeição e da santidade.

Por isso, a obediência aos anjos traz-nos muitos benefícios como se vê de vários casos narrados na Sagrada Escritura (Juízes 6,10 e 16, Marcos 1,12. Mat. 4,11 Actos 5,19-21). Acreditar no anjo é fácil mas obedecer-lhe é mais difícil. Nas horas amargas e confusas é importante a luz das inspirações do anjo. Em momentos de tentação, em que a pessoa está só e desamparada, é importante neste desterro da vida olhar para os anjos que também vieram servir a Jesus no deserto uando era tentado pelo demónio, fazendo desse desejo uma espécie de paraíso para Jesus e dando a esse lugar isolado o ambiente próprio dum lar. Com os anjos ao nosso lado, até as feras das paixões não serão capazes de tomar conta da nossa alma.